ENCHENTES: Desrespeitar o prefeito é contraproducente

Imagem: Andrea / Facebook

Olá amigos! Recentemente tivemos alguns episódios de conflitos contra o prefeito Eduardo Boigues durante a sua visitação em locais afetados pelas enchentes ocorridas nos dias 29 e 30 de janeiro aqui em Itaquaquecetuba. Ocorre que em alguns pontos como a parte do fundo do bairro da Vila Japão nas proximidades com a Vila Maria Augusta e com o Jardim Viana a água demorou mais de uma semana para escoar, apesar da maior parte dos pontos terem normalizado em cerca de dois dias.

Eu mesmo acabei ficando pelo lado de fora, por mais de 20 horas sem conseguir voltar pra casa em função do alto volume de água que atingiu os bairros como Vila Japão, Vila Maria Augusta, Fiorelo e Vila Sônia.

No domingo, 30 de janeiro, o prefeito Eduardo Boigues esteve na Vila Japão junto à Defesa Civil prestando apoio aos moradores e retornou no dia posterior, segunda-feira, junto às equipes da Secretaria de Serviços Urbanos para realizar a limpeza das ruas e prestar apoio aos moradores.

É importante frisar que os moradores têm, sem dúvida, o direito de cobrar da autoridade municipal por melhorias no bairro, com certeza, afinal, somos todos pagadores do IPTU, quem precisa quitar o carnê do próprio bolso sabe como dói todo começo de ano pagar uma quantia elevada de recursos como se fosse um aluguel por uma propriedade que lhe pertence, além de todos os outros impostos, no entanto, mesmo assim é preciso fazer cobranças de forma inteligente.

É muito desagradável morar em bairro alagado, dependendo do volume de água há perda de móveis, sujeira dentro de casa, há a necessidade de estacionar veículos há vários metros da residência, gerando risco de furto, como já aconteceu em 2019 ou 2020, em um dos episódios que me recordo, além dos riscos de saúde ao adentrar em água poluída tanto de esgoto quanto de resíduos de empresas que despejam no córrego.

Moro num bairro que alaga desde que nasci, em 1989 e enfrentei todo tipo de enchente, já vi peixes na minha rua quando criança, já vi água de esgoto subindo pelo ralo do banheiro, perdemos móveis e objetos em diversas oportunidades e todo ano há o medo de que a água suba além do limite que conhecemos podendo gerar transtornos ainda maiores.

Tensão

É compreensível que num momento de extremo estresse querer encontrar um culpado por um problema extremamente complexo e antigo, no entanto, realizar ofensas ao prefeito, que esteve presente no bairro, provavelmente não vai ajudar e talvez até mesmo possa atrapalhar o desenvolvimento do projeto de recuperação das áreas afetadas, que não foi pra frente nos últimos 30 anos, onde o prefeito Eduardo já anunciou um investimento de mais um milhão e meio de reais a ser aplicado na região.

Fui candidato a vereador em 2020 pelo DEM (coligado com o PP, do prefeito Eduardo Boigues) e nesse mesmo ano fizemos junto ao partido uma live com uma especialista em engenharia ambiental com os meninos do Itaquá Acima de Tudo, além de realizar outras consultas com outro engenheiro ambiental conhecido nosso e infelizmente não dá pra resolver o problema num estalar de dedos segundo os mesmos, é preciso antes de tudo, alinhamento da prefeitura com os moradores e uma interlocução forte com as outras esferas de poder como o governo estadual, não apenas para captar emendas, mas também para realização de obras de responsabilidade do governo do estado que envolve também o DAEE.

Por que é uma má ideia ofender o prefeito?

Itaquaquecetuba tem centenas de bairros, se não há um vereador eleito do bairro para realizar um trabalho alinhado com a população, a região pode ficar sem a visibilidade necessária e com as ofensas às equipes das secretarias e o prefeito, pode o bairro deixar ainda mais de ter relevância no cenário. Afinal, teríamos maior ou menor vontade de resolver um problema em uma localidade onde somos reiteradamente ofendidos?

Cobrar é direito, mas, é diferente de ofender e precisamos considerar o ponto mais importante deste cenário, só há chance de resolução da pendência através de UMA ÚNICO PESSOA no momento que é o prefeito. Itaquaquecetuba não tem deputado estadual e federal como Suzano e Mogi das Cruzes, onde a a interlocução com o Palácio dos Bandeirantes já é fundamental. Num intervalo de um ano o prefeito já trouxe o governador João Doria duas vezes em Itaquá, além de ter trazido também seu vice Rodrigo Garcia e vários secretários do governo do estado, algo que não acontecia frequentemente nas gestões passadas. Já há uma chance muito maior do que se não recebêssemos estas visitas.

Falando de interlocução é importante lembrar que nas eleições de 2018 o então prefeito Mamoru Nakashima apoiou o então governador Márcio França nas eleições ao invés do João Doria, de seu próprio partido, gerando um imenso imbróglio no PSDB tendo o Mamoru sido expulso pela executiva estadual, depois a federal o segurou, mas o estrago estava feito, a partir daquele momento a cidade sofreria um boicote do governo do estado.

Vamos lembrar que nada prospera num clima de intolerância.

Algumas pessoas cobram de mim que eu critique o prefeito, eu fui criado na oposição nos últimos dez anos, hoje nós somos situação, então isso não vai acontecer, lamento. No entanto eu respeito muito uma oposição inteligente, aquela que sabe cobrar, que representa o cidadão com demandas legítimas ao invés de uma oposição puramente rancorosa.

Mas nada está perdido, precisamos de união e alinhamento nos bairros afetados, precisamos de diálogo, de organizar e fortalecer uma associação de moradores e ter diálogo contínuo com a Câmara dos Vereadores, com as secretarias de Serviços Urbanos, Obras, com a Defesa Civil e com o gabinete do prefeito Eduardo Boigues. Nele há uma clara vontade de resolver a pendência, portanto, deve ser tratado como um aliado dos bairros, jamais como adversário, só assim teremos alguma chance de conseguir uma obra de grandes dimensões e resolver a pendência mais antiga desse canto da cidade.

Um abraço a todos.

Eduardo Ribeiro
Morador de Itaquaquecetuba, atuei na área de cursos profissionalizantes de 2009 à 2020. Bacharel em Ciência da Computação e pós-graduado em Direito Público. Fã de tecnologia, educação e política. Fui candidato a vereador em Itaquaquecetuba nas eleições de 2020 pelo DEM.

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